Mulheres que adotam crianças mostram que são grandes guerreiras
Por Joseane Santos
Fonte: Thaís Lazzeri.
Ser mãe é amar uma pessoa incondicionalmente, independente de ter gerado ou dado à luz. Para uma mulher esta profissão – que não existe férias ou pagamento melhor do que o sorriso de seu filho –, é muitas vezes uma vitória, pois, infelizmente ou felizmente, não pôde gerar um filho em seu ventre.
Mas a mulher é o único ser humano que consegue superar esta frustração amando uma pessoa que veio sim de outro ventre, mas será educada e amada por ela. É o que acontece com as mães adotivas. Elas são fontes de esperança e solidariedade para o mundo das crianças, elas conseguem transformar o sonho de uma criança abandonada em realidade.
O mundo caótico e cheio de maldades faz com que algumas “falsas mães” abandonem seus filhos, ainda no ventre elas os rejeitam e graças ao novo sistema de integração de adoção no país é possível uma futura mãe adotiva ter contato com seu futuro filho ainda na barriga da mãe biológica.
Foi o que aconteceu com Flávia Miranda de Oliveira, 33 anos, professora de educação infantil e psicóloga. Ela tentou engravidar por cinco anos. “Parece que um mês vira um ano. Um belo dia eu disse: chega!”, conta. A partir daquele momento, Flávia começou a se aproximar, inconscientemente, de casais que tinham adotado filhos. Ela passou a ter amigos e contatos com várias pessoas. Foi então que um dia em uma festa, uma de suas novas amigas disse: “Só falta você.” Naquele momento ela disse que ficou com raiva, mas sentiu que colocaram a sementinha da adoção nela.
Após dois anos, a professora, percebeu que existem vários caminhos que levam casais a terem filhos. “Não queria ter uma barriga, queria ser mãe. A gravidez pode ser um caminho. Mas não existe só esse”, afirmou. Não demorou muito tempo e ela e o marido, Ricardo Peev, 38 anos, jornalista, entraram na fila de adoção. A participação da família também é muito importante. Eles comunicaram aos pais dela e obtiveram um ótimo apoio de todos.
E em fevereiro de 2007, receberam um telefonema dizendo que Davi, hoje com 1 ano e 5 meses, nasceria dentro de dois meses em São Luís, Maranhão. Flávia e o marido, Ricardo moram em São Paulo. Emocionada a mãe diz sobre a história: “Cada vez que eu reconto, me aproprio mais dela”. Durante os dois últimos meses da gestação da mãe biológica, o quarto de Davi foi decorado e enfeitado com adereços feitos por uma amiga plástica da família.
Flávia relata que ao olhar para o filho não lembra das dificuldades que passou. Uma dessas dificuldades foi viajar junto com sua mãe para São Luís, para efetuar o processo de adoção direta, pela mãe biológica do bebê. Instalada no município, Flávia fez tudo o que uma mãe faz, passou todas as roupas do enxoval. Naquela mesma madrugada recebeu a notícia que a mãe biológica havia passado mal e já havia sido encaminhada para a clínica, paga pelo casal. “Foi como se eu tivesse sentido as contrações também.”
A mãe adotiva permaneceu na ante-sala ao lado da sala de parto. Quando Davi nasceu ela teve a oportunidade de ouvir o primeiro choro de seu filho. E minutos depois, ainda enrolado na toalha, pôde amamentá-lo. É isso mesmo, Flávia amamentou seu filho pois havia feito estimulação para ter leite. “A sensação de amamentá-lo foi indescritível”, emociona-se. Após aquele momento nada mais era importante para Flávia. Davi chegou para completar a vida desta grande mulher.
O marido viajou duas semanas depois, mas ligava diariamente e chorava ao telefone. Com sua volta para casa seu sonho estava completo e sua vida modificada pelo amor de ser mãe. Quando perguntada sobre como vai contar ao pequeno Davi sobre a adoção, ela é objetiva ao afirmar: “Ele não é adotivo, ele foi um dia adotado. Hoje ele é meu filho legítimo”.
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