Quando a avó exerce a função da mãe
A união dos avós e pais na criação das crianças
Joseane Santos
No ambiente familiar quem nunca pediu para ir morar na casa da vovó? Pois os mimos e a superproteção é tudo o que a criançada gosta. Entretanto, isto é muito comum nos dias de hoje, principalmente porque os pais andam cada vez mais ausentes sempre trabalhando, aperfeiçoando suas qualidades profissionais, para então oferecerem uma qualidade de vida melhor aos filhos.
O vendedor Marcio Vinício, de 30 anos, é um retrato desta situação. Seus pais, que trabalhavam o dia todo, moravam com seus avós maternos, e aos 6 anos do filho, decidiram morar em uma casa em um bairro distante, porém Marcio não quis ir com os pais, alegou que quem já o criava era a avó e “não era legal deixá-la sozinha, pois era o neto mais velho e tinha que defendê-la”.
Mas o que Marcio esqueceu é que além dele, sua avó já criava mais dois netos e tinha ainda quatro filhos com idades entre cinco e 17 anos. Seus pais tentaram de todas as formas convencê-lo de que o melhor seria morar com eles, mas não conseguiram. Os avós fizeram chantagens dizendo que ele seria uma criança infeliz e que sendo criados longe deles não teria oportunidade de ser amado, já que ele ficaria com uma babá, enquanto os pais trabalhavam.
Não foi difícil convence os pais de Marcio. Mas o final de semana era dos pais. Os anos foram passando e hoje, o vendedor agradece aos pais por aceitarem a sua opinião naquele momento. Mas para muitos pais inexperientes a opinião da criança não vale, alegando que quem decide são eles os responsáveis.
Segundo a psicóloga Mara Pusch, ela concorda que os pais são os responsáveis pela criança, mas: “A responsabilidade da educação é dos pais, e esse é um dos motivos pelos quais os netos e os avós se entendem tão bem. E se existir respeito pelos critérios e hábitos estabelecidos pelos pais, não haverá prejuízo para a autoridade paterna”, diz Mara.
Um ponto importante a ser tratado é a separação de função de cada um, para não magoar e nem rejeitar a ajuda alheia. Os pais devem priorizar o bem-estar da criança e identificar a grande necessidade do filho em se relacionar com o mundo em que vive, mas não esquecendo de impor regras na criação pelos avós. Neste aspecto, a psicóloga Gabriela Fructuoso diz que a superproteção não é uma lei. “Depende de como essa avó se coloca. Se ela agir responsavelmente, impondo limites, não haverá problema algum. Mas se apenas dá carinho e não faz cobranças no momento correto, acaba prejudicando a formação do neto”, afirma.
E diferente do que muito alegam, nem sempre os netos são crianças mimadas e egoístas, quando criados pelos avós. Basta saber diferenciar que a criação deve conter muita disciplina. A especialista, Gabriela, crê que existe um mito em relação à idéia de que todas as pessoas criadas pelos avós são mimadas. “Não há regras. Acontecem muitos casos em que os pais pecam na questão disciplinar e mimam os filhos, assim como há situações em que a avó exerce o papel de mãe com responsabilidade”, explica.
Outro fator muito importante é o amor que existe entre os netos e avós. É imprescindível afirmar que: filhos criados por avós são bem melhor do que por estranhos. E independente disto é muito positivo para a criança ter a imagem de todos seus familiares unidos pela sua educação, pela formação de seu caráter e personalidade.
Não podemos esquecer que todos, pais e avós devem se unir e lutar pelo melhor na criação. E é função dos pais, administrarem esta responsabilidade para que seu filho não tenha somente os avós como referência familiar.
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Há 14 anos

